sábado, 24 de janeiro de 2015

POSTO DE SAÚDE Agendamentos de exames são suspensos por falta de material

Fonte: http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/
24.01.2015
Problemas na Saúde se acumulam no Estado e na Capital; médico afirma que postos só estão fazendo consultas

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Pacientes deixam os postos de saúde sem orientação ou prazo para realizar os exames, de acordo com médico. Usuários confirmam a informação e também reclamam de falta de medicamentos
FOTO: FERNANDA SIEBRA
O primeiro mês de 2015 ainda não chegou ao fim, mas os problemas na Saúde do Estado vão sendo expostos com denúncias quase diárias que vão do cancelamento de exames, falta de leitos e de materiais básicos à paralisação de cirurgias, superlotação e até problemas no repasse de verbas do Sistema Único de Saúde (SUS). Os casos geralmente vêm à tona através de informações de usuários e profissionais das próprias unidades de saúde.
Somente ontem, o Diário do Nordeste recebeu três queixas que expõem a gravidade da situação. Nos postos de saúde do Município, por exemplo, um documento atribuído ao Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH), responsável pela administração dos postos, determinou a interrupção de agendamentos de exames laboratoriais desde a última quarta-feira (21) devido à falta de materiais.
O texto ainda diz que, a partir da próxima segunda-feira (26), pelo mesmo motivo, somente serão autorizadas as análises de exames de Hematologia e Bioquímica. O médico do Programa Saúde da Família (PSF) Rafael Cunha atua em um dos postos da Capital e confirma a informação, acrescentando, ainda, a falta de itens que vão dos mais básicos a outros mais importantes.
"Na farmácia (do posto), falta até soro de reidratação e remédios para hipertensão e diabetes. A principal causa de mortes no País são as doenças cardiovasculares. Sem esses medicamentos, fica complicado. A gente não tem como trabalhar", relata.
O médico informou ainda que os pacientes deixam os postos sem nenhuma orientação ou prazo para realizarem os exames. "Basicamente, os postos estão fazendo apenas consultas", disse. A situação é confirmada pelos usuários. Ontem, no Posto de Saúde Irmã Hercília Lima Aragão, no São João do Tauape, a comerciante Maria Alvânia Ferreira contava que tem um encaminhamento para uma cirurgia vascular desde 6 de maio do ano passado, mas ainda não conseguiu marcar o procedimento.
"Eles só dizem que não há vaga e não falam quando vai ter", reclamou. Alvânia também tinha em mãos uma receita datada de 30 de setembro para a retirada de uma pomada antialérgica. Desde então, ela afirma, não conseguiu encontrar o medicamento nos postos.
Espera
Já a dona de casa Raimunda de Paula Oliveira cuida da filha com epilepsia e cansou de esperar a chegada da medicação contra a doença. "No dia 5, minha filha teve um ataque porque tomou o medicamento atrasado. Eu cansei de esperar e estou comprando, porque eles não dão mais nada. Graças a Deus que eu tenho condições", disse ela, que estava no posto apenas para conseguir uma nova receita.
E os problemas não resumem à falta de medicamentos e cancelamento de exames. Segundo o médico Rafael Cunha, os vigilantes das unidades não recebem os salários desde outubro e ameaçam paralisar as atividades. "A Prefeitura contrata uma organização social, paga, gasta mais e o serviço continua sendo precário. A questão é que o problema é o mesmo de sempre, que é a falta de recursos", afirma.
Dificuldades
Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) reconheceu que os postos de saúde estão enfrentando dificuldades para a marcação de exames laboratoriais em virtude de problemas com o sistema.
Sobre o informe produzido pelo Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH), determinando a interrupção de agendamento de exames, o órgão esclareceu que este foi substituído imediatamente por uma nova mensagem, que comunicava que, a partir da próxima segunda-feira (26), todas as solicitações de exames laboratoriais deverão ser recebidas por um atendente. Quando confirmado o agendamento, o paciente receberá, por telefone, um comunicado com a data do procedimento.
Profissionais fazem paralisação em Sobral
Em Sobral, uma paralisação afetou, na quinta-feira, o atendimento no Hospital Regional Norte (HRN), também administrado pelo ISGH. Anestesistas cruzaram os braços devido à falta de pagamento dos salários. Segundo o presidente da Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas do Ceará (Coopanest-CE), Alberto Oliveira Júnior, os pagamentos pendentes eram relativos aos meses de outubro, novembro e parte de setembro.
Ele explicou que, para auxiliar o HRN, profissionais são enviados de Fortaleza "para completar a escala, devido ao número insuficiente de anestesistas". Como os médicos viajam por conta própria, o presidente da cooperativa ressalta que era inviável continuar o trabalho. Com o comprometimento do instituto gestor em pagar as dívidas até o dia 29, os especialistas retornaram ao trabalho ontem.
Issec
A situação também é preocupante para os cerca de 150 mil usuários do Instituto de Saúde dos Servidores do Estado do Ceará (Issec). Nesta semana, o Hospital São Raimundo suspendeu os atendimentos pelo convênio devido a atrasos nos pagamentos. Além disso, os funcionários públicos só podem realizar um único exame por mês.
Exames também seriam cancelados e procedimentos cirúrgicos não são marcados, de acordo com o servidor Haroldo Machado. Educador social, ele está de licença médica desde setembro e precisa de uma cirurgia na garganta, que tenta marcar há mais de um mês. "No meu trabalho eu tenho que falar, orientar. Por isso estou sem poder trabalhar".
O Issec é gerenciado pela Secretaria do Planejamento e Gestão do Estado (Seplag). Segundo o órgão, a nova diretoria está "se familiarizando" com as demandas para analisar caso a caso e esta seria uma prioridade.
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Germano Ribeiro
Repórter

Um comentário:

  1. "A situação também é preocupante para os cerca de 150 mil usuários do Instituto de Saúde dos Servidores do Estado do Ceará (Issec). Nesta semana, o Hospital São Raimundo suspendeu os atendimentos pelo convênio devido a atrasos nos pagamentos. Além disso, os funcionários públicos só podem realizar um único exame por mês."

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