domingo, 25 de janeiro de 2015

PARTO NORMAL X CESÁREA: O direito de escolher

Fonte: http://www.opovo.com.br/
25/01/2015
A escolha pelo tipo de parto deve priorizar o bem-estar da mãe e do bebê. No Brasil, o desafio é reverter taxas elevadas de cesáreas realizadas nos planos de saúde



RODRIGO CARVALHO
Andréa Coutinho queria ter Josué por parto normal, mas ele acabou tendo de nascer por uma cesária na noite da última quinta

Vivenciar o trabalho de parto até o fim ou recorrer à intervenção cirúrgica para o nascimento de um filho? A resposta passa por escolhas pessoais, indicações médicas, estrutura do sistema hospitalar e até hábitos familiares. No cenário ideal, a decisão se basearia na saúde da mãe e do bebê em um consenso entre gestante e médico. No entanto, as altas taxas de cesáreas no Brasil revelam uma rotina de valorização das cirurgias, mesmo quando desnecessárias para as pacientes.
O debate voltou à tona mais uma vez no início deste mês, quando o Ministério da Saúde e Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) publicaram resolução que estabelece normas para estímulo do parto normal e a consequente redução de cesarianas desnecessárias.

Optar pelo parto normal diminui as chances de sangramentos e infecções para a mãe, que tem recuperação mais rápida em relação à cirurgia. Para o recém-nascido, a via vaginal também traz vantagens, como começar a respirar mais facilmente sozinho. O canal do parto comprime o tórax do bebê, expulsando o líquido amniótico dos pulmões. Apesar dos benefícios, o desfecho natural da gestação é temido por mulheres que associam o parto a longas horas de dor e incerteza.

No entanto, vencer o medo é possível com informação e planejamento. Massagens, exercícios e técnicas de respiração podem ser empregados para amenizar as dores. Um pré-natal bem acompanhado e informação sobre os procedimentos são fundamentais para decidir onde e como a mulher quer dar a luz. É o que defende Bárbara Schwermann, ginecologista e obstetra que também realiza partos naturais - sem intervenções de analgésicos ou substâncias que aceleram as contrações.

O monitoramento da gestação identifica as condições para o parto vaginal. Se há riscos detectados antes ou durante o trabalho de parto, a saída é a indicação médica para retirar o bebê com uma incisão abdominal. Na visão de Marcus Bessa, presidente da Sociedade Cearense de Ginecologia e Obstetrícia (Socego), é importante reconhecer o bem da cesárea quando bem aplicada. “Se conversarmos com nossas avós, veremos que era maior a mortalidade materna e de bebês. Quando há intercorrências (no parto normal), a manobra salvadora é a cesárea”.

Na teoria, há casos claros de indicação para a cirurgia. O feto em posicionamento transverso ou a mãe com pressão arterial muito alta, por exemplo, tornam o parto vaginal uma experiência arriscada. Na prática, redes sociais e fóruns online mostram gestantes pedindo dicas de médicos defensores do parto normal. Em resumo, elas buscam um acompanhamento de quem saiba orientar e respeitar suas decisões ao mesmo tempo. Pelo parto normal e pela cesariana.

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