domingo, 26 de abril de 2015

Casos precoces de infarto

Fonte: http://www.opovo.com.br/
26/04/2015
Hábitos de vida e histórico familiar são aspectos imprescindíveis para doenças cardiovasculares. Pesquisa buscou variáveis nos casos precoces de infarto

EDIMAR SOARES
Nilton Barbosa teve um infarto aos 40 anos; com o susto e a cirurgia, aprendeu a se cuidar
Um sábado de Carnaval em 2013 marcou a vida de Francisco Nilton Barbosa, hoje com 42 anos. A dor no peito começou de manhã e continuou ao longo do dia. De madrugada, ele foi ao Hospital de Messejana, em Fortaleza. “A minha sorte foi ter ido direto para o local certo”, relembra hoje. Ao chegar à unidade, exames confirmaram o infarto e ele foi levado para a cirurgia. Cateterismos, angioplastias e internação se seguiram na rotina dele, até então completamente tomada pelo trabalho. “Nunca pensei que iria passar por isso. Achava que era coisa de gente com mais de 60 anos”, comenta. 
Depois do infarto, as peças foram se encaixando para Nilton. A mãe morrera aos 52 anos (com dores parecidas com as dele), o pai teve um AVC e convive com sequelas até hoje, a quantidade de trabalho diário e a pressão eram imensas e a hipertensão era tratada com remédios sem a regularidade correta. Alimentação e exercícios não entravam nas prioridades de vida. Depois do infarto, ele descobriu que convivia de forma silenciosa com o diabetes.

Assim, as doenças que eram relacionadas à passagem dos anos já se apresentam de forma precoce em muitas famílias e, por isso, o alerta sobre a saúde, a prevenção e a atenção aos sintomas são necessários para que a vida não seja atravessada por sustos.

A endocrinologista e aluna do doutorado interinstitucional do Incor e Uece, Helane Gurgel, explica que o infarto agudo do miocárdio e o AVC são expressões maiores das doenças cardiovasculares. Segundo ela, o risco de infarto em mulheres é maior acima dos 65 anos e, nos homens, acima de 55 anos. “Qualquer infarto que se dá numa faixa (de idade) anterior é precoce”, complementa.
 
Avaliações
E, para analisar o perfil e as variáveis dos casos precoces, Helane pesquisou pacientes atendidos no Hospital de Messejana, após infarto com menos de 45 anos em 2013 e 2014. Os pacientes, como Nilton, passaram a ser acompanhados e seus familiares foram convidados a passar por exames. Foram cerca de 400 pessoas avaliadas. 

Dentre as centenas de pessoas pesquisadas, 80% dos irmãos de infartados apresentaram algum distúrbio metabólico. “A doença é traiçoeira. As pessoas tinham um familiar que tinha infartado, poderiam ser as próximas”, explica Helane.

Dentre as 138 pessoas pesquisadas que haviam passado por um infarto, 75% fumavam, cerca de 78% tinham alguma síndrome metabólica, 48% tinham hipertensão e 63% tinham comportamento glicêmico alterado, como diabetes ou pré-diabetes.

O histórico familiar é o principal fator de risco a ser analisado inicialmente; no entanto, os hábitos exigem mudanças. Entre eles, o tabagismo é eleito pela pesquisadora como o pior.

O acompanhamento e a atenção sobre a saúde precisam ser constantes, principalmente diante dos riscos das doenças silenciosas. “As pessoas estavam doentes e o primeiro sintoma foi o infarto”, relembra. Helane ressalta que aproximadamente 30% das pessoas morrem no primeiro episódio de infarto.

“A gente vai ver cada vez mais pessoas infartando muito jovens se continuarmos nesse caminho”, afirma. (Samaisa dos Anjos)

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