sábado, 28 de março de 2015

CASO SUBTENENTE Mãe não comparece à reconstituição e pode ser presa

Fonte: http://www.opovo.com.br/
28/03/2015
Por causa de uma tendinite, Cristiane não viajou a Fortaleza para participar da simulação da morte do filho, marcada para ontem. Delegado adiou a acareação e cogita pedido de prisão



Após faltar à segunda reconstituição do crime que vitimou o menino Lewdo Ricardo Coelho Severino, de 9 anos, em novembro do ano passado, a mãe do garoto, Cristiane Renata Coelho, poderá ser presa preventivamente. A possibilidade foi cogitada pelo titular do 16º Distrito Policial, delegado Wilder Brito, responsável pelas investigações. Segundo ele, a mulher estaria dificultando as investigações. A medida poderá ser tomada já no dia 8 de abril, data para qual foi adiada a reconstituição. 

“Já apresentamos a decisão às partes que devem comparecer e vamos encaminhar para as outras. Se desta vez houver alguma falta ou recusa, outras medidas poderão vir”, antecipou o delegado.

A reprodução simulada do dia em que o garoto foi envenenado e morto estava marcada para a manhã de ontem. Porém, o advogado de Cristiane, Paulo Quezado, comunicou ao delegado que sua cliente não poderia comparecer por causa de uma tendinite no joelho. Junto à justificativa do não comparecimento, foram anexadas uma foto da perna de Cristiane, mostrando que ela estaria com um inchaço no joelho, além de uma guia, receita e atestado médico de 10 dias, fornecido pelo Hospital Militar do Recife, terra natal dela. É lá que ela está morando com o outro filho do casal e o restante da família.

Subtenente
Ainda considerado o principal suspeito de espancar a esposa, envenenar o próprio filho e tentar suicídio, o subtenente Francilewdo Bezerra Severino esteve no 16º DP, na manhã de ontem. Acompanhado do pai e da irmã, ele conversou rapidamente com a imprensa e criticou o fato de a ainda esposa não ter comparecido à delegacia. 

“O primeiro depoimento que eu prestei foi na UTI de um hospital. Depois, participei de uma reconstituição com o abdômen aberto, porque eu quero descobrir quem matou meu filho. Ela não comparece por causa de uma tendinite”, reclamou. O subtenente se queixou ainda de estar há mais de quatro meses sem ter qualquer contato com o outro filho do casal. “Sinto que meu filho foi sequestrado, porque não autorizei que ela o levasse”, lamentou.
 
O POVO tentou falar com o advogado Paulo Quezado, na tarde de ontem. As chamadas, contudo, não foram atendidas.

Versões

Cristiane Renata
Ela afirma que, no dia do crime, o marido a teria espancado e obrigado a tomar medicamentos para dormir. Em seguida, ele teria envenenado o próprio filho e tentado o suicídio. Os motivos, conforme mensagem postada no Facebook de Francilewdo, seriam para que a mulher fosse “feliz” e a existência de um amante de Renata.

Francilewdo Bezerra Ele diz desconhecer os motivos que poderiam levar a esposa a cometer o crime. Ele afirma que tomou conhecimento do suposto relacionamento extraconjugal de Cristiane somente após o crime.

Entenda o caso

11/11/2014. O subtenente é autuado em flagrante pois teria envenenado e matado o filho após agredir a esposa. Ele teria obrigado a mulher a ingerir medicamentos, fazendo o mesmo, em seguida, numa tentativa de suicídio. Autuado em flagrante por homicídio, lesão corporal e pela Lei Maria da Penha no 11º DP, ele é mantido sob escolta no Hospital do Exército.
 
12/11/2014. Caso é transferido para o 16º DP e a Polícia descobre que a página do militar no Facebook, onde ele teria publicado um depoimento informando que cometeria os crimes, foi atualizada quando ele já estava em coma. Celular do subtenente estava com a esposa, que viajou para Recife, onde o menino foi enterrado.
 
18/11/2014. A Polícia descobre que o garoto teria ingerido veneno para ratos.
 
19/11/2014. Em depoimento, Cristiane Renata mantém a versão de que ela e o filho teriam sido obrigados pelo marido a ingerir alta dosagem de medicamento.
 
20/11/2014. Francilewdo acorda do coma induzido, mas continua internado. Polícia aguarda laudo para ouvi-lo.
 
28/11/2014. O subtenente presta depoimento de quatro horas à Polícia, no hospital. Durante o interrogatório, ele nega as acusações.
 
3/12/2014. Francilewdo tem prisão preventiva revogada pela Justiça.
 
12/12/2014. Subtenente recebe alta.
 
22/12/2014. Francilewdo e Cristiane trocam acusações durante acareação. Primeira reconstituição do crime é realizada na casa do casal.

27/3/2015. Nova reconstituição do crime é cancelada após Cristiane alegar repouso médico. Reconstituição é remarcada e delegado cogita pedido de prisão preventiva.

Multimídia
Veja no O POVO Online entrevista com o subtenente Francilewdo Bezerra, concedida, na manhã de ontem, no 16º Distrito Policial.

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