sábado, 20 de fevereiro de 2016

Morre Umberto Eco, italiano autor de O nome da Rosa

Fonte: http://www.opovo.com.br/
20/02/2016
Escritor italiano tinha 84 anos e, segundo agências, lutava há anos contra um câncer. Era, mais recentemente, uma voz crítica das redes sociais

ETHAN MILLER/AFP

Umberto Eco era natural de Alexandria e era respeitado, também, como importante semiólogo


O escritor italiano Umberto Eco, autor de “O Nome da Rosa”, entre outros inúmeros livros de sucesso mundial, morreu ontem, aos 84 anos. A informação foi confirmada pela família do escritor ao jornal italiano La Repubblica. Umberto Eco nasceu em 5 de janeiro de 1932 na cidade de Alexandria, na região italiana do Piemonte, e as causas da morte não tinham sido divulgadas até o fechamento desta página. Segundo a agência France Press, o escritor há tempos lutava contra o câncer.
Romancista, ensaísta, filósofo e crítico literário, Umberto Eco era reverenciado no meio acadêmico e considerado uma referência em semiótica, embora tenha feito sucesso internacional com “O Nome da Rosa”, obra adaptada para o cinema em 1986 pelo diretor Jean-Jacques Annaud, com Sean Connery no papel principal. No enredo, ambientado em 1327, um monge franciscano tem a missão de descobrir as misteriosas mortes de sete monges em sete dias.

Contrariando o desejo do pai de que se tornasse advogado, Eco estudou filosofia e literatura na Universidade de Turim, de onde se tornou professor. Também foi editor de cultura da RAI, emissora estatal italiana. Em 1956, lançou seu primeiro livro Il Problema Estetico di San Tommaso (não editado no Brasil).

O último livro, “Numero Zero”, foi lançado no ano passado e contém uma ácida critica ao mau jornalismo, à mentira e à manipulação da história. “Essa é minha maneira de contribuir para esclarecer algumas coisas. O intelectual não pode fazer nada, não pode fazer a revolução. As revoluções feitas por intelectuais são sempre muito perigosas”, explicou o autor na época em declarações à agência de notícias EFE.
Redes sociais
Humbero Eco era, desde 2008, professor emérito e presidente da Escola Superior de Estudos Humanísticos da Universidade de Bolonha. Ele também escreveu obras como “O Pêndulo de Foucault” (1988) e “O Cemitério de Praga” (2010), além de ensaios “O Problema Estético” (1956), “O Sinal” (1973), “Tratado Geral de Semiótica” (1975) e “Apocalípticos e Integrados” (1964), referência nos cursos de comunicação em todo o mundo.

Em tempos mais recentes, Eco tornara-se um crítico vigoroso do papel das novas tecnologias no processo de disseminação de informação. Para Eco, as redes sociais dão o direito à palavra a uma “legião de imbecis” que antes falavam apenas “em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade”. “Normalmente, eles (os imbecis) eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel”, disse o intelectual durante palestra recente em evento no qual recebia o título de doutor honoris causa em comunicação e cultura na Universidade de Turim, norte da Itália.
Saiba mais
Vida e obra
Semiólogo, filósofo e escritor, respeitado tanto na academia quanto no meio literário, o italiano Umberto Eco se notabilizou sobretudo depois da publicação do romance 

O nome da rosa, livro traduzido para mais de 30 idiomas e foi adaptado para o cinema em 1986 por Jean-Jacques Annaud. 
 
Anos antes, em 1964, Eco escreveu Apocalípticos e Integrados, estudo ao longo do qual analisa categorias ligadas à cultura de massa e à televisão.
 
O último livro publicado por Eco foi Número zero.

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